Para captar tantas coisas maravilhosas ditas pelas crianças

é só ter ouvidos de ouvir crianças”

Pedro Bloch

As histórias a seguir são diálogos com crianças, dos quais participei, me foram contados ou enviados por amigos e colegas que acompanham o blog.

Em alguns casos, tomei certas “liberdades literárias”, principalmente na introdução das narrativas, na tentativa de instigar a sensação do contexto. As falas das crianças, entretanto, nunca são alteradas e toda espontaneidade é preservada.

O envio de histórias é feito via e-mail (com mensagens para maira.s.f @ gmail.com) e peço que especifiquem o primeiro nome e a idade de quem participa do diálogo.

Textos já enviados podem ser encontrados aqui no Blog (na lista de "marcadores", pelo nome da criança, ou na página "agradecimentos", pelo nome de quem os enviou) e em publicações impressas. Caso não autorize a publicação impressa das hitórias enviadas, favor especificar na mensagem.

Para uma leitura geral do Blog, clique nos links com os meses de postagem e os títulos em "historinhas" e bom divertimento!

domingo, 15 de abril de 2012

Anel mágico

A Maíra, minha xará, tinha três anos e estava indo para a casa dos avós, quando ganhou um anelzinho regulável de sua mãe. Encantada com a novidade, a pequena achou o máximo controlar o tamanho do anel. 
 
E, assim que chegou na casa dos avós, ela fez questão de explicar:
 
- Vovô, olha que legal esse anel que minha mãe me deu! Ele nui e diminui!

domingo, 8 de abril de 2012

Antenas

O Miguel, agora com cinco anos, continua bem inspirado em suas conversas...

Outro dia, passeando pela rua com a avó Célia,  ele mostrou umas antenas da Embratel e perguntou:

- Celinha, sabe para que servem essas antenas?
- Para quê? - quis saber sua avó

E, tranquilamente, ele explicou:

- É para discutir o mundo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cinco fases

Assim como a Rita, o João, de quase 7 anos, também se interessa bastante pelos fenômenos da natureza.

Conversando com a sua avó, na volta da escola para casa, ele ouviu:

- Nossa, como a Lua está linda!

E logo concluiu:

- É a Lua cheia, né, vovó?

- Sim, é a Lua cheia. A Lua tem quatro fases e...

- Eu sei! - interrompeu animado e começou a contar nos dedos - Tem a Lua cheia, que é uma bola, a Lua crescente, que é um risquinho para um lado, a Lua minguante, que é um risquinho para o outro lado, a Lua nova, que não parece e... peraí, não são quatro, não, são cinco!

- Não, João, são quatro - explicou sua avó - você já disse o nome de todas, querido.

Mas ele não se conformou e disse com bastante seriedade:

- São cinco, sim, vó, você está esquecendo da Lua de mel!

Cada um com a sua voz

Tsu é um menino bastante observador, que adora conversar e compartilhar suas opiniões.

Certa vez, quando estava com 3 anos e meio e participando de uma aula de música, ele ficou muito intrigado com o fato do professor estar rouco.

Ao longo das canções, foi ficando inconformado, até que perguntou, já tentando resolver a situação:

- Ô, Tanã, por que você não fala com a voz que é sua, hein?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sobre as postagens

As postagens no blog diminuíram, pois precisei concentrar energia em trabalhos particulares e também na publicação do livro, que atrasou, mas deve ser impresso assim que a ComArte/EDUSP finalizar as revisões.

Mas continuo recebendo as histórias, que podem ser enviadas pelo blog ou por email, ok?

Grata,
Maíra

Diversas do Theo

Na hora do jantar...
Enrolaaando para comer, ele começa a contar os dedinhos da mão esquerda:
- Um, doisss, têiss, quato, cinco...
(pausa)
- Falta o seis, mamãe! Pecisa pô o seisss!!
(O que "pecisa" é ter uma paciência de Jó com esse figura...)
Em uma tarde, refletindo sobre sua vida de dois anos...
- Mamãe, o Theo não é mais bebezinho, o Theo é bebê, tá?
Voltando da casa do avô, com uma cara muito séria:
- Ô, mamãe, pecisa í no supetado pá compá chochoate!"
(eu mereço...)
6h da manhã, em casa...
Theo acorda e, na sequência, ouve-se uma campainha no prédio. Segue o diálogo:
Theo (muito animado): Quem cheDou?
Mãe (querendo MORRER de sono): Não é aqui, é no vizinho. Vai dormir, filho.
Theo: É no vizinho dIbaixo.
Pai (que desistiu de dormir): Não, Theo, é no vizinho de cima. Vai dormir, filho.
(Pausa... A mãe já estava sonhando, quando escuta...)
Theo: Huum, são doisss vizinhosss!
Obs: como pode um menino de dois anos ficar calculando vizinhos as 6h a.m.!!!

 

domingo, 16 de outubro de 2011

Uva moderna

Olívia, com três anos e meio, deliciando-se com um cacho de uvas sem caroço:

- Mamãe, eu gosto dessa uva, ela não tem osso...

sábado, 10 de setembro de 2011

Gentilezas da Anita

Anita, com 1 ano e 8 meses, acordando gentilmente sua mãe:

- Mamãe, acoda o olho!

E, muito educada, criando uma nova palavra que resume aquela troca de gentilezas toda:

- Obigadadinada!

Pombinha

Luca, com 3 anos, após observar atentamente uma pomba na rua:

- Papai, olha lá aquela galinha que voa!

Metrô delícia!

Cora, com dois anos, estava tomando café da manhã e observando atenta uma conversa, quando sua mãe comentou:

- Daí, Fulana, é só descer na estação Brigadeiro e...

E a pequena arregalou os olhos, fez carinha de marota e logo acrescentou:

- Bigadeio! Eu tumi, mãe!

domingo, 21 de agosto de 2011

Mais sobre Deus

Maria Clara, com 8 anos, buscando respostas com sua mãe...

- Mamãe, o que é Deus?

- Tudo é Deus, filha.

- Esse copo é Deus?

- É.

- E se o copo quebrar? É Deus quebrado?

Audição apurada

Ana Luisa, com 3 anos, e dificuldades para escutar: 

- Mãe, eu não OUVO nada.

- Ana Luiza, não é assim que se fala. O certo é "OUÇO". OVO é de galinha. - explica sua mãe.


E a pequena, logo conclui:

- E OSSO é de cachorro!.

O céu e o chão

Téo, com 3 anos, exercitando a comparação, com uma pitada de prosopopéia (ou personificação, para quem esqueceu das aulas de figuras de linguagem :)...

- O céu não tem asa, mas mesmo assim ele voa. O chão não tem perna nem braço, só tem barriga